Salve,salve povo!
Eu demorei para postar e tbm não consegui avisá-los do outro post porque esses primeiros dias forem bem corridos pra mim. Me desculpem a demora.
Eu estou bem porém sinto muitas saudades de casa, do Brasil, da vida que eu tinha.
Acho que eu posso resumir o que eu comparo com o Brasil em PESSOAS, COMIDA, “CASA” E AMBIENTE.
O lugar e as pessoas são ótimas, todos são muito gentis e educados comigo e isso tem ajudado bastante mas eu tenho um pouco de medo disso acabar conforme o tempo for passando. Afinal, ser legal no começo é fácil...
Agora, estamos em 4 trainees em Damascus (WWW.damascus.org.ph): 1 polonesa (Ilona), uma russa (Sofia), 1 holandês (Rens) e eu, todos mais velhos com 24 ou 25 anos. Aqui tem uma casa (governors) em que todos os trainees dormem...tem cozinha, banheiro, 2 quartos e uma sala de estar. Atualmente eu divido quarto com a Sofia, muito boazinha e educada.
Quase sempre eu sinto uma tensão no ar já que eles estão aqui há mais tempo que eu e tem seus problemas de convivência. A polonesa por exemplo já arrumou briga com todo mundo...
É ruim porque eles esperam que eu tome partido na maioria das vezes e eu sou muito tranquila (vcs sabem)...às vezes eu curto um “em cima do muro”, principalmente quando eu não tenho nada a ver com o negócio e quando eu nem conheço as pessoas.
É...coisas de se conviver em grupo.
Zaldy, um dos residentes, segurando microfone pra mim enquanto eu fazia a minha apresentação pessoal.
Malon, outro residente, e Rens, o trainee holandês com os filhotinhos gracinhas.
A comida é bastante gordurosa e nada a ver com o que eu estou acostumada, com o que eu gosto. Eles basicamente fritam tudo! E se não fritam, colocam bastante óleo.
Não tem carne de vaca. Aqui na fundação, o frango e o arroz são doados então temos frango praticamente todos os dias (3 vezes ao dia). É, 3 vezes! Porque no café da manhã não tem pão, é arroz com alguma proteína.
Pra mim não tem importância repetir o frango, o pior mesmo é a falta de verdura e legumes que são caros e portanto nunca tem. Nunca mesmo.
A casa é ok. Mas é suja como quase tudo por aqui. E esse tem sido um dos meus maiores problemas porque é muito triste você querer um canto seu pra poder descansar e esse lugar ser sujo e escuro (agora melhorou porque eu comprei lâmpadas novas).
Então, eu concentrei minhas coisas do quarto que é consideravelmente aconchegante. A melhor coisa que eu fiz foi trazer meu travesseiro e meu cobertor...eu sei que pelo menos eles não estão sujos e eles cheiram a minha casa.
Bom, depois de ter me acomodado um pouco e estar mais tranqüila, eu já encontrei 3 baratas na minha cama. Elas simplesmente aparecem! Vocês podem imaginar o quanto é ruim...mas aqui é pior porque a minha cama é a única coisa que me traz conforto de verdade. Tipo, “na cama não, cacete!”.
The Governors – a casa dos trainees.
Os meninos jogando basquete
O ambiente é bem diferente da Capital, Manila. Aqui em Bulacan tudo é mais precário mas de certa forma é melhor porque tem menos lixo, menos poluição, menos barulho... e o clima é mais agradável tbm.
O lugar é nas montanhas então é mais fresco, venta um pouco mais ... porém estamos no alto verão então tem algumas queimadas e ar está bem seco, inclusive os rios.
Não sei se todos vocês entenderam, aqui é um centro de reabilitação para usuários de drogas. No momento são 8 internos de todas as idades (de 17 a 40 anos), níveis sociais (geralmente de menor nível porque como aqui é uma fundação, não se cobra caro) e usuários de diversos tipos de drogas ( muito comum por aqui é o Shabu, uma meta-anfetamina). Eles são acompanhados por um psicólogo (algum dos trainees), tem aulas de inglês, ajudam na manutenção do lugar, fazem algumas atividades recreativas e religiosas.
Eu gosto de conversar com eles, quem sabe mais pra frente algum deles não se sinta confiante o suficiente pra me contar mais sobre sua experiência e tals...
Todos são muito interessados em saber sobre mim tbm... é legal, mas como eu não gosto muito de falar sobre mim aí não é tão legal. Haha.
Aqui em Damascus tbm tem um centro de alfabetização para as crianças mais carentes da região. Eu ainda não pude conhecê-las direito porque agora é férias de verão.
Como a AIESEC já é parceira da fundação há uns 10 anos, todo mundo aqui está acostumado a ver estrangeiros andando por aí. Então, é mais fácil... Só que pra mim é diferente por 2 motivos:
1-Eu sou uma japonesa brasileira ou uma brasileira japonesa. Muito confuso pra todos!
Já contei e expliquei a história umas... 30 vezes.
2-Eu faço engenharia de produção. Aqui eles só tem psicólogos e, de repente, alguém da engenharia. Eles não entendem o que eu vim fazer aqui (oh! Novidade!) e tbm já expliquei umas 30 vezes.
Conheci o diretor da fundação, Robert Tiangco. Ele não mora aqui, mora em Manila, então demorou até ele aparecer. Aliás todo mundo me diz que ele é bastante ausente.
Nós conversamos sobre o meu trabalho aqui e eu já tenho uma primeira parte para começar. Primeira parte cabulosa, diga-se de passagem.
Há um tempinho atrás eles descobriram que deva pra pegar água aqui do solo então algum parceiro doou o equipamento e eles começaram extrair, tratar e vender essa água engarrafada pela região. É um negócio que dá um dinheiro bom pra manter a fundação e também um pouco para as mães das crianças da escolinha.
O problema que eles não tem estrutura alguma e cada um é responsável por várias coisas mas cada um faz do seu jeito. Além disso, eles não sabem quanto custa o produto deles.
Resumindo, eu vou atrás da precificação da garrafa d’água (coisa bem fora do que foi combinado que eu faria aqui em Damascus) e vou criar processos e ferramentas para a “Water Station”. Ao mesmo tempo, preciso fazer tudo isso pensando no 6sigma (foi a primeira coisa que ele me perguntou,fdm!) e em como avaliar qualidade e resultados.
Vai ser muito difícil e isso me deixa um pouco preocupada. Não é só a cultura de uma organização que eu vou “ter” que “mudar”..mas principalmente a cultura de um país que eu tenho que entender e aprender a lidar. Produção Jr, o mercado é bom por aqui...tão afim?
Acho que é isso...
Estou me virando. Geralmente eu derramo umas lagrimas aí ao longo do dia e fico bolando planos pra voltar antes pro Brasil mas eu não me permito muito mais que isso. E eu sei que depois vai melhorar.
Ah! Eu passei mais alguns dias em Manila, de 6ª feira até 3ª feira. Fomos deixar uma outra trainee holandesa que estava indo embora aí aproveitamos, Rens e eu, para passar uns dias lá.
Fui ao cinema (aqui as salas comportam 400 pessoas, são gigantes) duas vezes! Hehe. Muito legal...assisti Alice in Wonderland (sem legenda foi meio dificil) e I Love You Philip Morris (Rodrigo Santoro contracenando com Jim Carey, demais!) – muito bons, assistam aí.
Nós saímos com o pessoal da AIESEC umas 2 vezes..pessoal animadinho até.
Comprei um celular! Vocês podem me ligar agora, haha. Sério! Muito barato via skype.
Eu conheci alguns outros trainees, todos japoneses, aí tive que explicar de novo a mesma historia. Mas eu adorei conhecê-los, eles são bem diferentes dos que eu conheci no Japão.
Aí teve um dia que fizemos aquele drinking game que tem que colocar o copo/garrafa virado na cabeça...foi trainees versus filipinos. Ganhamos bonito!
Manila Bay – em frente ao Mall of Asia
The Losers! – AIESECers das Filipinas
The Winers! – Rens, Eu, Takuro (Japão), Ryuske (Japão)
Promoção da M&Ms – ESCAPE TO BRAZIL!
Rens com Manny Pacquiao, o herói nacional – lutador de boxe.
Prometo escrever mais regularmente pra não acumular tanto.
Tenho muitas saudades de todos...de tudo!...