domingo, 25 de abril de 2010

Custeio, parte1 - meu chefe é um bossal.

Lá vou eu denovo...


Esse mês já perdi vários eventos sociais no Brasil, hehe, então vou marcar presença aqui pelo blog mesmo, considerem-me sentada à mesa com vocês no Mitsuyoshi:


- Lulubas, primo querido e responsavelmente irresponsável, feliz aniversário! Desejo que você nunca deixe de ser grande, em todos os sentidos. Muitas felicidades e menos ressacas.


- Mamys, mesmo aqui nas Filipinas fui a primeira a te dar os parabéns ein! Viu só. Não vai chorar ein, já estou voltando. E bom, pra você eu desejo paz de espírito e confiança pra você continuar sempre no seu caminho do bem, procurando a felicidade dentro de você. Meu orgulho maior. Te amo.


- Papito, tanta coisa que eu aprendi com você e talvez você nem saiba. Parabéns! Pra você eu desejo aquelas coisas simples da vida tipo ganhar no futebas (da 4ªf, do sábado e do domingo), no tênis da 3ª, uma (disse “UMA!”, táaa...duas, vai.) cervejinhas geladas, comidinha da sogra(que gosta de mimar você) e menos lençóis com elástico pra você passar (porque ninguém merece aquilo!). O seu presente é grande parte de todos os “obrigado” e “parabéns!” que eu receber aqui, estou me esforçando pra gente ganhar bastante.

Ok. Momentos de reflexão são muito importantes quando se está longe de casa, mas é bom “externalizar” um pouco senão “dá tilte”!

Sintam-se abraçados por mim...


Essa semana eu comecei pra valer o trabalho.

Agradeço a todos que comentaram o projeto e que se esforçaram pra tentarem entender e ajudar a pessoa aqui. Muito interessante o poder da internet nessas horas de aflição do ser humano!

De fato, não tem muito jeito. Apesar da insegurança inicial, segui com o plano.


Em primeiro lugar, eu montei uma apresentação ppt(PowerPoint) a respeito do projeto como um todo e mais especificamente sobre a primeira etapa. Falei sobre as etapas do custeio, um pouco sobre teoria pra situar todo mundo, os recursos necessários, os resultados esperados, até sobre trabalho em time, importância da comunicação e “work hard”.


Levei na reunião do Staff, abri meu querido HP dv2000 na frente e falei por 20 minutos.

Tá, normal... a gente faz isso quantas vezes por semestre contando graduação, AIESEC, empresa júnior etc?....várias,certo?!

Mas eu senti na real o quanto a falta de domínio da língua pode destruir o poder de argumentação do mensageiro, no caso EU.


É pessoal... “I speak English” não significa que você é capaz de explicar Custos por aí no mundo.

Claro que você passa a mensagem, explica aqui, explica ali, e você cumpre o objetivo porque estudou bastante, mas um pouco mais de vocabulário técnico não faria mal. (Ficaí a Dica da Tia Bel)


No final, recebi bons feedbacks. Muito porque minhas engasgadas no inglês não contam muito pra eles, e sim a postura e a iniciativa de montar a apresentação coisa que eles não estão acostumados. Pra eles foi bastante “profissional” e “Nossa! Que legal! Me ensina como faz?!”.


Apresentação ppt - só pra vocês verem um pouquinho

Botar a mão na massa e buscar as informações na 2ª feira foi o mais exaustivo mas também muito interessante. Fui atrás dos diagramas do equipamento para olhar o processo de purificação da água, identificar filtros, produtos químicos, consumo de energia e como são medidos os volumes de produção e de despejo. Decifrar as válvulas, os contadores...ai que lindo! Pra mim é sensacional! A parte da engenharia que realmente me faz querer trabalhar na indústria e não sentada na cadeira de um Banco.

(E não porque é o que nos resta nessa vida, se é que você, Carioca, está lendo isso agora.)


Difícil mesmo é decifrar os “caderninhos” que eles usam pra anotar tudo referente à Water Station. Tem caderninho pra vendas, caderninho pra anotar qualidade da água, caderninho pra controle da produção diária.... mas não se engane pelo título (escrito à mão) na capa, quem foi que disse que títulos devem estar NECESSARIAMENTE relacionados com o conteúdo em questão?!!!


É, ninguém disse pra eles. Então eles começam em um caderno, mas continuam em outro com outro título!

E lá vou eu decifrar aquele monte de números escritos a mão e depois rasurados ou com aquela consertada eficiente (sabe quando você tenta fazer um 9 parecer um 6? Então...).


Pois é, mas o pior é que eles fazem a leitura dos contadores com tanta atenção que 50% das vezes a produção do dia é NEGATIVA (leitura da noite – leitura da manhã < ZERO!!!).


Se não fosse trágico, seria cômico.

Santos Caderninhos! - Será Deus me escrevendo em linhas tortas (e rasuradas)?

Aos poucos eu vou me acostumando com esses absurdos que realmente acontecem por aqui, eu tento todos os dias entender o que faz as pessoas serem tão desencanadas, esquecidas, preguiçosas. Talvez a falta de ambição já que grande parte do staff mal terminou o ensino fundamental, talvez por serem altamente desmotivadas já que ganham pouquíssimo e trabalham muito (braçal, não o cérebro).

Bom, o fato é que consegui terminar a minha primeira parte do projeto dentro da DDL.

Digo, desconsiderando a parte que o meu chefe bossal fez o favor de não me ajudar a encontrar ou discutir os valores.

Com cálculos simples e muito bom senso, determinei custo estimado de quase tudo por galão de água produzido (aqui a gente usa Gallons – fucking USA) e cheguei em resultados sensatos pelo menos.

Eu particularmente acho que foi um bom trabalho, muito porque eu consegui não focar tanto em processos e metodologia e fluffy (como eu sempre faço) e me ative a conseguir logo os resultados. O tal do foco em resultados...


Foi um tanto desmotivante pra mim porque, já disse que meu chefe é um bossal? Então, ele é. Precisava que ele olhasse pra ver se fazia sentido pra ele todo o raciocínio e o resultado, mas ele estava mais preocupado em jogar “zoombies that eat your brain” ou “zinga poker” ou “caffe world”. Não estou brincando! É isso que ele faz o dia inteiro quando ele está aqui na organização.

Acho que todo o trainee que vem pra cá e tem um blog deve dedicar alguns parágrafos pra contar com indignação sobre esse fato. Aparentemente aqui nas Filipinas é muito mais normal não se ter um líder como chefe e sim algum cara que chegou lá por motivos que nem sempre estão relacionados à sua competência. No meu caso, o cara é o fundador.

A resposta sempre é: “Ele é o chefe, ele pode.”

Vocês entendem que eu estou trabalhando pra um cara que não gosta de ser interrompido, não responde email, não colabora com o projeto porque ele não pode deixar os zumbis comerem o cérebro dele?

Outra coisa bizarra das Filipinas que, não vai ter outro jeito, eu vou ter que me acostumar TAMBÉM.

No final, ele olhou e discutimos algumas coisas. Recebi um “Seu trabalho está muito bom, parabéns!”



Tanques, Filtros, Pressurizadores - Water Station. Tudo novinho!

Desde o começo, que eu passei várias horas lendo, estudando e montando o projeto e essa semana realizando o projeto, o Rens fala: “Você trabalha muito...não se pressione tanto porque as pessoas não esperam tanto assim de você, mesmo porque elas não vão acompanhar o seu esforço.”

É muito ruim porque eu estava com todos aqueles planos e agora não sei mais se vale a pena revolucionar tanto assim.

De repente a única coisa que vai caber dentro do que eles estão dispostos a me ajudar, é ir “tampando os buracos”. Nada de estrutura, planejamento estratégico, qualidade...

Veremos o andar (vagaroso) da carruagem.


Ok. Fora o projeto, eu queria falar sobre o fato da semana:


Visita dos estudantes (Miriam College – College aqui é tipo ensino técnico)

Sempre tem os estudantes que vêm pra cá fazer algum trabalho comunitário, trazer doações, sentir pena pelos meninos e dizer que eles têm que ter esperança, esse tipo de coisa.


Mas essa semana foi diferente porque vieram dois grupos juntos: um grupo de meninas de 18 anos e um outro grupo misto de 10 alunos surdos e mudos.

De dia eles ajudaram a pintar a capela, limpar alguns lugares e fizeram algumas brincadeiras com as criancinhas do Damascus Learning Center.

À noite, eles acenderam uma fogueira e fizeram um tipo de encerramento noturno com brincadeiras e dinâmicas.


O animal de tudo foi a apresentação da turma dos alunos surdo mudos (The Deaf Group, como eles mesmo se denominam). Eles coreografaram umas 10 músicas e apresentaram pra gente. Músicas! E eles são surdos. Foi muito impressionante porque eles todos estavam no ritmo, treinaram muito de forma que os que escutam um pouco mais, na frente, pudessem coordenar os que escutam só as batidas(sons graves), atrás.


Dá pra imaginar, memorizar 10 músicas só pela batida, sem a letra?!

Se você fosse surdo, você se imaginaria dançando no ritmo da música?

Foi emocionante, todos adoraram, os meninos ficaram super felizes, dançaram junto...

Aquele tipo de momento em que você pára, pensa e conclui em 10 segundos que você não tem motivo algum para estar triste.

(O Rens tirou fotos mas saíram todas ruins, vou procurar com outra pessoa depois eu mostro)


E eu tive que comparar. Quando eu for embora daqui quero ficar na memória das pessoas como alguém que fez algo impressionante, fora do comum, e não apenas uma das meninas normais de 20 e poucos anos fazendo boa ação. De certa forma eu me identifiquei com eles, foi inspirador. Deu pra entender?

Três vezes por semana os meninos fazem atividade física de manhã. E, eu e o Rens, chegamos a conclusão que seria melhor substituir a corrida (jogging) porque ninguém gosta! Haha. Como bons representantes da Holanda e do Brasil, nós sugerimos futebol.

Agora, uma vez por semana eu jogo futebol com eles. Eles não curtem muito e jogam mal, mas é engraçado.

Na próxima semana vamos jogar vôlei! E talvez até seja eu a responsável por preparar a “aula”.

Eu sinto muita falta de jogar, ter parado de treinar é a minha maior frustração.


Dia a dia da reabilitação. 6ªf, apresentação sobre o NA (Narcóticos Anônimos)


Meu calendário 2010, ficou gracinha vai.


Ah! O outro fato inesquecível da minha semana foi ter ligado pra minha vó. Hehehe!

Toda vez ela me surpreende tamanha fofice! Rá!


Batian: Alôoo?! (voz fraquinha)

Bel: Alô! Vó?!

Batian: Alô! Béél?

Bel: Oi Vó!!! É a Bel sim! Tudo bem?!

Batian: Tuuudo, Bel. Onde você está?

Bel: Batian, eu to nas Filipinas, lembra?

Batian: Ah...eu lembro, mas sua voz tá tão perto. Achei que você estava em casa. Mas Filipinas é longe,né?