segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Depois de muito tempo: o que fiz, escrevi e não postei.

Coisa difícil essa de manter um blog atualizado. Já tinha desistido desse aqui, mas decidi que só assim pra eu escrever tudo o que eu estou fazendo por aqui e não acabar esquecendo aqueles detalhes importantes, poder reler quando tiver saudades.

Nesses meses em que não escrevi no blog, não deixei de tentar escrever na minha cabeça. Quero dizer que pra mim é muito importante tirar o melhor de cada experiência mas mais do que isso, chegar até a última curva do raciocínio que justifica aquilo que você realmente aprendeu. E eu gosto de dedicar tempo nisso, mesmo porque às vezes é muito difícil enxergar o ponto final ou a próxima curva...

Desde os primórdios do mês de maio,

Eu fui a um festival (“Carabao Festival”),

Cozinhei um Jantar à Brasileira pra 20 pessoas,

Junto com a Tina fomos representar Damascus no planejamento de parceria do Miriam College,

Me despedi com tristeza da Sofia,

Fiz um encontro geral com os clientes da Water Station,

Fui com dinheiro e voltei sem de Manila algumas vezes,

Assisti o Brasil perder pra Holanda com cara de c* e ao lado do Rens,

Conheci o primeiro brasileiro nas Filipinas (Grande Marcos! Pediu meu telefone e nunca mais ouvi falar),

Visitei o novo governador de Bulacan pra sorrir e pedir uma “esmola pelo amor de Deus, uma esmolinha por caridade”,

Fiz passeio turístico numa ilha sem praia,

Assisti as vendas da Water Station acompanharem inversamente o aumento das chuvas,

Percebi que com o aumento das chuvas as roupas mofam,

Fiquei feliz quando meu chefe trocou “zoombies that eat your brain” por scrabbles,

Facilitei a reunião que fez o meu chefe admitir que jogar é o escape mas não é a desculpa (muito menos a solução),

Percebi que depois dessa reunião de planejamento minhas tarefas triplicaram de volume,

Levei vários sustos quando percebi que a Mary está crescendo muito rápido,

Retomei meus estudos de francês mas ainda dou risada da minha pronúncia,hum, peculiar,

Os novos políticos assumiram e as mudanças de interesse também,

O custo do kWh duplicou e o custeio da Water Sation passou a ficar desatualizado antes do previsto,

Li 3 livros (recorde pessoal) mas ainda to brigando com o maldito do Schopenhauer,

Falei “oi” e “tchau” depois de 2,5 semanas pra trainee russa que veio, trocou de esmalte umas 3 vezes e desistiu do intercâmbio,

Falei “oi” mas não falei “tchau” pra alguns novos residentes que vieram e fugiram,

Comecei a dar aulas de inglês duas vezes por semana mas “pedi penico” – uma vez por semana tá ótimo né! ,

Dormi na casa da Tina e percebi que quanto menos você tem mais você tem pra dividir,

E quando a conta bancária da fundação apertou, dá-lhe Google “fundraising”/”fundraising strategy”/”how to write fundraising proposals”/”nonprofit strategy”/”how to increase your water station Sales so that your foundation in the Philippines would not bankrupt” ...

e depois de respostas insuficientes: ”passagem aérea Manila São Paulo”.


No meio disso têm definitivamente muito aprendizado suado, muita dor de cabeça, muitos outros momentos de querer desistir, raiva e revolta contra esse “puta mundo injusto”, um pouco de tristeza por não estar em outro lugar com outras pessoas, solidão (da boa e da ruim), saco-cheio, preguiça só de pensar, umas choradeiras no deprimente estilo “drama Queen”, algumas lágrimas bem pesadas em momentos de vazio, momentos em que eu planejei “mirabolosamente” como voltar pra casa sem parecer que voltei derrotada, menina que ofereceu ajuda mas não sabe de nada (“sabe, eu costumava ser criativa-cadê as boas idéias pra resolver esse pepino, gente?”), carência brutal daquelas de querer chorar de emoção quando alguém te abraça (ô,dó!haha), sentimento de impotência diante de não poder estar aí ou de não poder ajudar tanto quanto gostaria aqui, nostalgia 24horas por dia, paciência (to vendendo).



Mas também gratidão por estar exatamente nesse lugar e com estas pessoas, epifanias interessantes sobre coisas que só assim pra se dar conta, autoconhecimento que é bom e nunca é demais, reconhecimento, algumas gargalhadas valiosas, sem falsa modéstia “ficou bom pra cace**!”, alguns momentos em que eu me conformo com a idéia de que tudo o que eu posso fazer é o meu melhor e não é tão ruim assim, longas conversas culturalmente ricas e únicas, novos pontos de vista e novas opiniões, opiniões mais consistentes, e especialmente nessa situação em que feedbacks são raros, tentar ser mais justa comigo mesma, dividir momentos sutis em que não é final de festa, é que simplesmente não tem festa e eu sei que posso dizer que fiz amigos aqui...pessoas que talvez eu nunca mais veja na minha vida mas elas estarão lá no meu dia-a-dia.



E, nossa! Como eu amo meus pais, minha família! A comida da minha mãe, então! He He He. Você sabe quem faz falta na sua vida e fica aliviado, em paz, quando percebe que essas pessoas também sentem a sua falta.



De repente, se foram 5 meses e...

Você, enfim, começa a perceber as novas coisas que vão fazer falta. (vide post 3)

ps. Há um tempo atrás postei esse vídeo no YouTube - sou eu dentro de um triciclo em Manila.

http://www.youtube.com/watch?v=Q3e95lJxR3c

ps2. Para ver acessar o álbum de fotos que tem um pouquinho de tudo aqui das Filipinas:

Postagem-blog

ps3. Para fotos especialmente dos terraços de arroz:

46-The Round during raining season

ps4. Fotos do Festival (Carabao Festival) para os bem interessados.

Carabao Festival-Pulilan(14th May)