As coisas foram acontecendo, tarefas cumpridas e novas tarefas surgiram e de repente tudo ao mesmo tempo e a Water Station não era mais (ou não poderia ser) o foco do meu trabalho. Durante Aquela reunião com o meu chefe, ele disse que eu fiquei “overwhelmed” com os problemas da Water Station, meio que deslumbrada e ao mesmo tempo pressionada a resolver aquilo tudo.
Esse foi um dos únicos feedbacks decentes que ele já me deu porque, apesar de negativo, me fez parar e pensar no tanto de recurso que eu estava investindo “apenas” naquilo ali. Não que não fosse importante, mas eu acabei me esquecendo das outras tantas coisas que poderia fazer se soubesse, basicamente, administrar melhor meu tempo. Percebi que era deslumbramento mesmo, uma fatia gorda de vaidade coberta de ingenuidade porque até então esse projeto era exatamente o que eu estava procurando na sua forma mais óbvia: aplicar Engenharia de Produção num outro cenário. “Vou colocar no currículo que agora sei tudo de Water Station nas Filipinas e aí ninguém vai poder me falar que eu não me desenvolvi profissionalmente, né”. Ouvir aquilo foi um click (daqueles de ascender até uma lâmpada no topo da cabeça) de que eu podia fazer mais.
Um pouco depois disso foi quando percebi que então tinha assumido mais responsabilidades do que poderia dar conta (porque trabalho é gasoso) e voltamos ao começo da história. Chorei e bufei! Não ia pra frente, nem pra trás. E nessas crises eu sempre tenho uma boa amiga de tempos que tem o cuidado de não só me ouvir às 2 horas da manhã, mas prestar atenção em detalhes e contextos e históricos para nada mais, nada menos, me dar opções coerentes e uma saída de emergência. E viva o skype! E viva a amiga!
No final da história, tive que aparar um pouco as asinhas da minha lista de afazeres. Mas por mais que esse processo tenha sido um pouco perturbado e stressante pra mim, eu não acho que fiz mal em ter assumido uma grande quantidade de tarefas. Muito porque eu não concordo com quem pensa/age como se fazer trabalho voluntário fosse apenas tirar umas férias do trabalho “de verdade”. Durante esse tempo, consegui dar um gás em algumas áreas da fundação que só precisavam de um pouco de atenção. Porque vai! Porque dá! E pode ser que isso seja mais óbvio para alguns e mais um tipo de absurdo para outros, não importa. Eu aceito ser ingênua nesse caso e acreditar que assim se faz alguma diferença. O salário também é ótimo!
Esse não era para ser o meu último post, mas vai acabar sendo. Apesar de ter começado há quase um mês atrás, não consegui terminar antes porque não fui capaz de expressar realmente o que eu queria. Aí fui deixando... Mas agora o tempo acabou e eu não quero terminar esse intercambio sem terminar o meu diário, seria frustrante.
A verdade é que “Vai que dá!” é mais do que uma expressão chula do português universitário é um estilo de vida arriscado, nervoso e, na maioria das vezes, muito recompensador. É mais do que tomar decisões precipitadas às vezes, estudar na véspera, passar com o carro entre o ônibus e o caminhão ou acreditar na virada da final do futsal.
Hoje eu estou F E L I Z. Porque eu provei para mim mesma o que eu vim provar e aproveitei cada causa e conseqüência até aqui – da saudade dos que ficaram à saudade dos que ficarão.
Eu gostaria de ser escritora mesmo para poder terminar essa arriscada pretensão de projeto de blog-interessante a altura. Como esse não é o caso em questão, vou optar por apenas dizer: Muito obrigada a todos que torceram por mim de alguma forma sincera e que acreditaram, sem recriminação, nos meus porquês. Nós conseguimos!

Vc nao eh escritora? "vai que da" hahahhaa
ResponderExcluirQue delicia Bel, essa experiência só podia te fazer uma pessoa ainda melhor, e pegar mais responsabilidades e tarefas do que podemos cumprir só mostra a vontade que temos de sempre querer fazer mais, só mostra seu interesse em ajudar essas pessoas! Parabéns pelo seu trabalho, garra, vontade e emepenho!
Te mandei uns email nao sei Ao certo que dia vc chega aqui!!!
Boa viagem de volta! De 9 messes pra ca vc esta mais plena e realmente da pra perceber q vc se encontrou como pessoa nessa viagem! Mais plena!
Te amo
Saudades
Que linda escrevendo "nós conseguimos". Adorei.
ResponderExcluirObrigado e de nada, ao mesmo tempo mesmo, tá?
Venlogo. Voltabel.
Nossa Bel, esse foi um dos melhores posts que eu já li em blogs.
ResponderExcluirVocê conseguiu expressar muito muito bem o sentimento de um final de intercâmbio, ainda mais um tão intenso como o seu.
Parabéns por tudo!!
Quero te ver logo, rs.
Beijão